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Dois encontros de salvação

     Queridos irmãos e irmãs,

na Porta Santa da Basílica de São Pedro em Roma, encontramos  duas cenas, que  apresentam a Cruz, com o bom ladrão e o encontro de Tomé com Jesus Ressuscitado.

 

                    O bom ladrão.

A misericórdia, que Jesus  revelou com parábolas, gestos de cura e de perdão, atinge na Cruz o ápice. “Hoje, estarás comigo no Paraíso”. Estas palavras maravilhosas de Jesus revelam que Ele está sempre pronto em perdoar, não importa o momento em que isso possa acontecer.

Depois de uma vida devassa, para este ladrão chega o momento da graça. Ele reconhece no companheiro crucificado o Messias e coloca diante dela a sua miséria, com um pedido de ajuda “Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. Basta isso, para que a porta da misericórdia de Jesus se abra para ele entrar no Reino.

     Esta cena, para nós, é de grande ensinamento.

1)      Primeiramente, nunca devemos desconfiar do perdão de Deus, porque “Ele nunca se cansa de perdoar “. A maior tentação, depois do erro, especialmente se repetido, é duvidar deste perdão . Sempre interpretei o “pecado contra o Espírito Santo” com esta tentação.

2)      Segundo ensinamento desta cena diz respeito à comunidade. Nunca devemos desanimar na nossa missão evangelizadora. Podemos receber várias recusas às nossas solicitações espirituais e pastorais, mas só Deus conhece o momento da sua intervenção na vida das pessoas. O mesmo vale pelas famílias. Quantos pais ficam angustiados porque os filhos não seguem o caminho certo. Eles aconselham, mostram o que deveria ser feito, mas nem sempre isso acontece. Aí chega a tentação de abandonar os esforços para a recuperação do filho. Quanto tempo o Pai da parábola esperou pela volta do filho? Não sabemos. Certamente, não foi pouco. Mas ele esperou, tinha confiança. De fato, “quando ainda estava longe, o pai o avistou e sentiu compaixão”. Estava sempre perto da porta de casa, esperando. Deus faz assim conosco. E nós devemos nos esforçar para ter a mesma atitude com os irmãos que erram.

          O encontro de Tomé com Jesus Ressuscitado.

“Bem aventurados os que acreditaram”. Sempre Tomé foi chamado de ‘incrédulo’ . O que impedia  a Tomé de crer era a grande dor pela morte de Jesus. Esta dor o fechou, a ponto de não acreditar nos companheiros. Perguntamo-nos: porque o dia da Páscoa não estava no Cenáculo, junto com os outros? Eu acho pela tristeza, que o fechou. Não acontece também a nós, quando temos um sofrimento grande. É fácil se fechar, não querer falar com ninguém.

    Mas, deixando de lado este questionamento, Tomé teve a possibilidade de professar a sua fé em público (coisa que ninguém dos outros fez!): “Meu Senhor e meu Deus”.

Obrigado, Tomé por esta sua singela profissão de fé, que nós repetimos muitas vezes, nas Missas e em outras ocasiões. Nós, também, em muitas ocasiões, não conseguimos enxergar a presença de Deus na nossa vida, especialmente quando tem algo que contraria a nossa vontade. Ajuda-nos a não duvidar do amor de Deus, deste Deus que nos ama com “amor visceral (MV) e que, quando sofremos, nos carrega no colo (Pegadas na areia).

                                              

 

                                                            Dom Antonino Migliore

Bispo de Coxim-MS