Convertei-vos e crede no evangelho

Vivemos hoje o tempo da quaresma, porém devemos ter consciência que não é somente esse tempo que devemos nos voltar para conversão. O gesto de mudança de vida deve ser uma prática permanente em nossa vida. A Igreja nos proporciona esse “tempo favorável” de conversão, com o objetivo de um encontro profundo com Jesus, dando início a um novo tempo para nossa existência.

 

Iniciamos esse novo tempo a partir da Quarta-feira de Cinzas, que foi instituída há muito em nossa Igreja; marcando assim o início da Quaresma, tempo de penitência, caridade e oração mais intensa. Quando recebemos a imposição das cinzas, expressamos com humildade e sinceridade de coração, que desejamos nos converter e crer de verdade no Evangelho.

Para os antigos judeus o uso das cinzas já significava arrependimento dos pecados e volta para Deus. As Cinzas bentas e colocadas sobre as nossas cabeças nos fazem lembrar que vamos morrer; que somos pó e que ao pó da terra voltaremos (cf. Gn 3, 19) para que nosso corpo seja refeito por Deus de maneira gloriosa para não mais perecer.

É um tempo de conversão e sua autenticidade implica o cumprimento das obras que são próprias do Tempo da Quaresma, que não nascem da cabeça do homem, mas sim tem referência na palavra de Deus. Não somente neste tempo devemos viver essa prática, mas a partir deste momento como expressão de encontro íntimo com Deus e com o próximo.

Quaresma é um tempo de “refletir nossa vida” e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, etc.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: “Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca”.

Na Quarta-Feira de Cinzas somos levados a visualizar a Quaresma exatamente para que busquemos a conversão. A liturgia do tempo quaresmal mostra-nos em especial a esmola, a oração e o jejum como os princípios da Quaresma (cf. Mt 6,1-6.16-18). A própria Quarta-Feira de Cinzas nos coloca dentro do mistério. É um tempo de muita conversão, de muita oração, de arrependimento, um tempo de voltarmos para Deus.  

As cinzas que os cristãos católicos recebem na testa neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida. Uma das frases, no momento da imposição das cinzas, serve de lembrete para nós: “Lembra-te que do pó vieste e ao pó hás de retornar. ” A cinza quer demonstrar justamente isso; viemos do pó, viemos da cinza e voltaremos para lá, mas, precisamos estar com os nossos corações preparados, com a nossa alma preparada para Deus.       

Estamos em um tempo favorável para examinar nossas ações atuais e passadas e arrependermos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações verdadeiramente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação, renovando nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.    

 César Quirino

Fundador