O agir essencial

Qual é o ramo que poderá se tornar uma árvore?

 

Entramos no mundo com um simples arbusto, um arbusto no máximo produz algumas folhas, e apesar de ter tantos ramos e folhas não produz frutos. Para que o arbusto produza sempre folhas e flores novas é preciso ser podado, então crescerá a árvore.

Num dado momento da vida, o ser humano deve entender que não nasceu para fazer tudo, que possui muitas riquezas e possibilidades mas nem tudo poderá ser posto em prática, por exemplo, toda pessoa tem a tendência à relação sexual, mas não quer dizer que isso a realize, depende da vocação, dentro da vocação encontrada e discernida alguns ramos serão podados.

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda”.(Jo 15,1-2)

Cada pessoa deve ser capaz de descobrir qual é aquele único ramo capaz de se tornar uma árvore. Esta tarefa na verdade pertence ao Espírito Santo, não é um poder humano, é o Pai quem quer realizar esta obra de arte. É preciso ter coragem de olhar para os dons, e em certo momento usar a tesoura e cortar, para permitir que aflore aquela realidade única e irrepetível que está no agir essencial.

O Pai dirá: “que belas flores e quanto fruto…”, a árvore podada, de maneira certa e no tempo certo produzirá o máximo da fecundidade.

O que é ‘agir essencial?’

É a descoberta daquela ação da vida, na qual a pessoa pode dar o melhor de si mesmo. Esta descoberta se dá através de dois percursos:

O primeiro é a história pessoal. Nas entrelinhas de nossa história pessoal existe uma espécie de fio vermelho, que em muitas circunstâncias vem à tona. São memórias de atitudes e acontecimentos do decorrer da vida que conduzem na direção do agir essencial.

O segundo é olhar as várias atividades que fazemos, nem todas as atividades exigem o mesmo esforço e a mesma paixão, algumas, se consegue realizar com tanto entusiasmo, outras custam muito cansaço e percebe-se que necessitam muito esforço físico e espiritual. Certamente o agir essencial está naquela atividade particularmente entusiasmante, apaixonante da vida. A pessoa deve encontrar também no serviço aos outros ou dentro do carisma, qual é o âmbito, ponto, tipo de ação na qual ela consegue dar o melhor de si mesmo, pois este é o lugar especial em que Deus chama a realizar esta obra de arte.

Exemplo: Escrever, ler, compor, tocar um instrumento, fazer artesanato, jardinagem, plantar e cultivar, praticar um esporte, ensinar, cantar, etc.

Como descobrir o agir essencial?

O agir essencial está inserido na vivência plena da vocação e do estado de vida daquele que se questionou e descobriu uma característica, única e irrepetível que Deus lhe deu. Neste particular momento entra a importância da formação pessoal para ajudar a discernir o que é chamado de Deus e o que pode ser uma ambição pessoal, isso pode levar muito tempo, porém, é importante entender que Deus não pedirá nada estranho, nada que já não esteja impresso dentro da pessoa, nada que impeça as urgências ministeriais ou familiares, nada que possa fazê-la infeliz, pois, o que Deus imprimiu dentro de cada um desde sempre está de acordo com o estado de vida para o qual ele mesmo chamou.

Um exemplo:

O Cardeal italiano, Carlo Maria Martine, era professor presidente do estudo bíblico, e sua intenção era levar adiante a missão através do estudo da Sagrada Escritura, o Papa, naquele tempo era João Paulo II, pediu que ele fosse arcebispo de Milão, sabe-se que ele resistiu, mas foi e viveu sua paixão pela Sagrada Escritura dento da maior diocese do mundo, tornou-se mestre dentro de seu ministério para a Igreja, o agir essencial não foi colocado em risco mesmo diante de uma situação que parecia inadequada.

É importante observar, sinto-me chamado para esta tarefa? Se interiorizarmos, ou seja, buscarmos as respostas dentro de nós mesmos poderemos andar onde as circunstâncias nos chamam e viver com esta mesma paixão levando esta característica naquele ambiente, e transbordará o máximo de fecundidade. Terminando seu serviço pastoral o Cardeal Martini disse: ‘volto aos meus estudos porque serviço ou estudo vale a mesma coisa diante de Deus’.