Discernimento do ‘agir essencial’

 

O primeiro é a história pessoal. Nas entrelinhas de nossa história pessoal existe uma espécie de fio vermelho, que em muitas circunstâncias vem à tona. São memórias de atitudes e acontecimentos do decorrer da vida que conduzem na direção do agir essencial.

O segundo é olhar as várias atividades que fazemos, nem todas as atividades exigem o mesmo esforço e a mesma paixão, algumas, se consegue realizar com tanto entusiasmo, outras custam muito cansaço e percebe-se que necessitam muito esforço físico e espiritual. Certamente o agir essencial está naquela atividade particularmente entusiasmante, apaixonante da vida. A pessoa deve encontrar também no serviço aos outros ou dentro do carisma, qual é o âmbito, ponto, tipo de ação na qual ela consegue dar o melhor de si mesmo, pois este é o lugar especial em que Deus chama a realizar esta obra de arte.

Exemplo: Escrever, ler, compor, tocar um instrumento, fazer artesanato, jardinagem, plantar e cultivar, praticar um esporte, ensinar, cantar, etc.

Como descobrir o agir essencial?

O agir essencial está inserido na vivência plena da vocação e do estado de vida daquele que se questionou e descobriu uma característica, única e irrepetível que Deus lhe deu. Neste particular momento entra a importância da formação pessoal para ajudar a discernir o que é chamado de Deus e o que pode ser uma ambição pessoal, isso pode levar muito tempo, porém, é importante entender que Deus não pedirá nada estranho, nada que já não esteja impresso dentro da pessoa, nada que impeça as urgências ministeriais ou familiares, nada que possa fazê-la infeliz, pois, o que Deus imprimiu dentro de cada um desde sempre está de acordo com o estado de vida para o qual ele mesmo chamou.

Um exemplo:

O Cardeal italiano, Carlo Maria Martine, era professor presidente do estudo bíblico, e sua intenção era levar adiante a missão através do estudo da Sagrada Escritura, o Papa, naquele tempo era João Paulo II, pediu que ele fosse arcebispo de Milão, sabe-se que ele resistiu, mas foi e viveu sua paixão pela Sagrada Escritura dento da maior diocese do mundo, tornou-se mestre dentro de seu ministério para a Igreja, o agir essencial não foi colocado em risco mesmo diante de uma situação que parecia inadequada.

É importante observar, sinto-me chamado para esta tarefa? Se interiorizarmos, ou seja, buscarmos as respostas dentro de nós mesmos poderemos andar onde as circunstâncias nos chamam e viver com esta mesma paixão levando esta característica naquele ambiente, e transbordará o máximo de fecundidade. Terminando seu serviço pastoral o Cardeal Martini disse: ‘volto aos meus estudos porque serviço ou estudo vale a mesma coisa diante de Deus’.

 

Fonte:Com.Oásis


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