O que é a comunhão dos santos?

 

À fé que professamos na Santa Igreja Católica está intimamente vinculado o dogma da comunhão dos santos, presente no Símbolo apostólico, reconhecido pela Tradição e fundamentado nas Escrituras, conforme o que diz S. Paulo: “Nós, embora sejamos muitos, formamos um só Corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro” (Rm 12, 5) [1]. De fato, visto que a Igreja é o Corpo místico de Nosso Senhor, todos os que a Ele estão unidos se beneficiam mutuamente, pois a saúde de um membro concorre para o bem dos outros e, por conseguinte, do organismo inteiro.

Podemos definir a comunhão dos santos como a “instituição divina pela qual todos os santos que estão no céu, todos os justos que estão no Purgatório e todos os filhos da Igreja que estão na terra formam uma única e grande família, cujo chefe é Jesus Cristo, e participam de todos os bens espirituais que lhes são comuns” [2]. Esta comunhão entre os diversos membros de Cristo se estende, portanto, aos membros da chamada Igreja triunfante (os santos do paraíso), da Igreja padecente (as almas do Purgatório) e da Igreja militante (os fiéis da terra).

É preciso ter em mente, contudo, que o membro principal e originário desta comunhão é o próprio Cristo, pois é dele o Corpo do qual somos membros (cf. Ef 1, 22-23) e é dele, por seus méritos infinitos, que derivam todos os bens que são compartilhados nesta íntima união entre os que foram santificados pelo Batismo. Como diz S. Tomás de Aquino, “uma vez que todos os crentes formam um só Corpo, o bem de uns é comunicado aos outros […]. E assim, deve-se acreditar que existe uma comunhão de bens na Igreja” [3].

Ora, os bens que circulam na Igreja são, além dos méritos do Salvador, os méritos incomparáveis da SS. Virgem Maria e os de todos os outros santos, adquiridos com orações, mortificações e boas obras cujo valor, por ser superabundante, pode ser aplicado às necessidades dos demais fiéis. Assim, por exemplo, as orações e sacrifícios de um podem servir para alcançar de Deus a graça de que outro precisa. Do mesmo modo, as Missas aqui celebradas, por seu valor infinito, podem beneficiar não só os fiéis ainda vivos, mas também os defuntos, como sufrágio da pena que eles têm de padecer antes de entrar no céu.

Mas, como dito acima, o membro mais importante desta comunhão num só Corpo  é o próprio Cristo, pois é Ele a sua divina Cabeça. “Assim”, continua S. Tomás, “o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, comunicação que se faz”, entre os que ainda caminhamos neste mundo, “por meio dos sacramentos da Igreja” [4]. Isso significa que, ao professarmos nossa fé na comunhão dos santos, confessamos também, ao menos implicitamente, a existência dos sete sacramentos, instituídos pelo Senhor a fim de nos comunicar, através deles, as graças conquistadas pelos méritos do seu sacrifício na cruz.

Resumindo o que dissemos até agora, podemos dizer que os

[…] bens da comunhão dos santos produzem nos membros da Igreja os mesmos efeitos que o alimento produz nos membros do corpo, fazendo com que cada um deles seja apto para realizar suas funções. Assim como em um corpo há diversos membros, e estes têm diversas funções e contribuem para o bem de cada membro em particular e para o bem do corpo em geral, assim também no Corpo da Igreja existem diversos membros, que recebem diversas graças e exercem diversas funções. Ora, as graças que cada um recebe e as boas obras que cada um realiza aproveitam, ao mesmo tempo, a todo o Corpo e a cada um de seus membros (cf. Rm 12, 4.13) [5].

Com respeito à diversidade de membros que, por distintos títulos, fazem parte da comunhão dos santos, convém saber o seguinte, a modo de esclarecimento final [6]:

a) Os fiéis da terra, desde que estejam em estado de graça, participam dos méritos e orações dos santos do céu, capazes de nos obter de Deus as graças da salvação e apresentar a Ele as súplicas de quem recorre à sua intercessão. Podem impetrar também uns pelos outros, por suas orações e sacrifícios, as graças que humildemente pedirem a Deus.

b) As almas do Purgatório participam das nossas preces e boas obras, (particularmente das que lhes são oferecidas em sufrágio), das indulgências que lhes são aplicadas e também do Santo Sacrifício da Missa realizado em seu proveito. Alguns teólogos defendem a opinião segundo a qual as almas do Purgatório poderiam também rezar pelos que ainda vivem e, desta maneira, obter para eles algumas graças. Trata-se, no entanto, de um ponto debatido, sobre o qual a Igreja não pronunciou nunca uma sentença definitiva e que, portanto, está aberto à livre discussão teológica.

c) Os santos do paraíso, por fim, recebem com alegria as homenagens que aqui na terra lhes rendemos e participam da glória que, com o seu culto e a imitação de suas virtudes, damos a Deus.


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